INTRODUÇÃO
A avaliação de
desempenho, vista como “apreciação do desempenho do indivíduo no cargo”
(Chiavenato, 1994), está associada às práticas de administração de Recursos
Humanos. Enfatiza o autor que a Avaliação de desempenho é um conceito dinâmico,
haja vista acreditar na existência de permanente avaliação – formal ou
informalmente – dentro das organizações. Salienta, ainda, que a ARH constitui uma técnica de direção
imprescindível na atividade administrativa. É um meio através do qual se podem
localizar problemas de supervisão de pessoal, de integração do empregado à
organização ou no cargo que presentemente ocupa, de dissonâncias, de
desaproveitamento de empregados com potencial mais elevado do que é exigido
pelo cargo, de motivação, etc.”(Chiavenato, 1994, p.263).
Lefton (1977) conceitua a Avaliação
de Desempenho como sendo uma discussão formal entre superior e subordinado
visando descobrir como e por que o subordinado desempenha seus trabalhos
presentemente e como pode efetuá-los no futuro, de modo a beneficiar a
organização.
Lucena (1992) vê a Avaliação de
Desempenho como a verificação da atuação da força de trabalho na produção de
resultados, reforçando que o conceito de avaliação de desempenho abrange como
premissa básica a confrontação de algo que acontece (resultado) com algo que
foi estabelecido antes (meta).
Avaliação de Desempenho é a técnica
que nos auxilia a ter uma visão mais objetiva do desempenho e do potencial de
um funcionário.
A idéia de avaliação, entendida como
uma forma de julgamento, é vista como prática desde o surgimento do homem
(LUCENA, 1992), a concepção de avaliação é tão antiga quanto a civilização. O
autor informa que através de registros escritos, os Sumérios, sociedade que
floreceu no Vale de Eufrates há aproximadamente 6000 anos, realizam avaliações
com frequência de modo a saber o valor das coisas que trasacionavam como metais
e ferramentas.
Chiavenato (1994), relata que as
práticas de avaliações de desempenho remotam ao passado dando o exemplo de
Santo Inácio de Loyola no século IV, ao servir-se de um sistema combinado de
relatórios e notas de atividades e, principalmente, do potencial de cada um dos
jesuítas.
Dentro deste contexto, percebe-se que
a Avaliação de Desempenho possui relativa importância na gestão dos sistemas
organizacionais, a ponto de se ter tornado uma das mais importantes ferramentas
da
ARH.
Além da importância da Avaliação de
Desempenho como um mecanismo típico da área de recursos humanos, é, também, um
componente essencial e necessário do planejamento estratégico organizacional.
Harrington (1997) observa que o plano de desempenho do indivíduo deve basear-se
em como o desempenho individual vai suportar o plano de negócios da
organização.
APLICAÇÕES DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
Thomas e Bretz, Jr.
(1994) apresentaram um estudo sobre as práticas associadas à Avaliação de
Desempenho, com base numa pesquisa realizada pela Cornell University, junto as 100
maiores empresas dos Estados Unidos, de acordo com a Revista Fortune. Tal estudo, no entendimento
dos mesmos “provê algumas perspectivas no enigma da avaliação de desempenho”.
Constatam os autores que existem diferentes usos para a Avaliação de
Desempenho, como listados na tabela 2.1.
1
|
Desenvolvimento
do desempenho do trabalho
|
2
|
Administração de
pagamento por mérito
|
3
|
Aviso aos
empregados sobre expectativas de trabalho
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4
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Recomendações aos
empregados
|
5
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Promoção de
tomadas de decisões
|
6
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Motivação dos
empregados
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7
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Avaliação de
potencial dos empregados
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8
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Identificação de necessidades
de treinamento
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9
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Melhoria de
relacionamento no trabalho
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10
|
Auxílio no ajuste
de metas de carreira
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11
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Determinação de
trabalhos mais eficientemente
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12
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Transferência de
decisões
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13
|
Tomada de
decisões sobre dispensas
|
14
|
Auxílio no planejamento
de longo prazo
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15
|
Validação de
procedimentos para contratação
|
16
|
Justificar outras
ações gerenciais
|
1
|
Raramente eles possuem qualquer senso de propriedade. Eles não são
envolvidos dodesign ou na administração
do sistema, não são treinados para usá-lo e tampouco para fornecerem um feedback.
|
2
|
Os gerentes não
gostam não gostam de “entregar” mensagens negativas às pessoas com quem
trabalham. Mensagens negativas tendem a gerar reações defensivas e
hostilidades antes de servir como resposta sobre o desempenho
|
3
|
Empregados e
gerentes reconhecem que entregando mensagens negativas afetam-se as relações
pessoais.
|
4
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Há poucas
recompensas formais para tornar o processo de avaliação sério. Há maiores
recompensas informais para não entregar mensagens impopulares.
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5
|
Os gerentes
hesitam em dar avaliações desfavoráveis por medo da aparência que um
insatisfatório trabalho possa refletir mal na habilidade de selecionar e
desenvolver os empregados. A falta de candor na Avaliação é o único caminho
de “esconder a roupa suja”.
|
Tabela 2.1 Principais Usos da
Avaliação de Desempenho (adaptada de Tomas e Bretz, Jr., 1994).
A pesquisa aponta que o supervisor
imediato é o “avaliador-chave” e a sua opinião é decisiva para avaliação final;
enquanto que as decisões estratégicas são realizadas no nível corporativo –
como efetuar, ter ou não avaliações, definição do papel (mérito, incentivo).
Indica, ainda, que, apesar da conscientização da validade de efetuar-se as
avaliações, pouco tempo é despendido na atividade. Em média, gasta-se por
empregado, por ano, oito horas. A razão básica para tal, deve-se ao fato de os
gerentes, mesmo entendendo a importância da Avaliação de Desempenho, a terem
como uma “tarefa desagradável”.
Os resultados da pesquisa citada, por
outro lado, apontam que apenas 10% dos empregados não recorrem dos
procedimentos. A tabela 2.2 apresenta as razões pelas quais empregados e
gerentes antipatizam com o processo de Avaliação de Desempenho.
Tabela 2.2 Razões para Aversão ao
Processo de Avaliação (adaptada de Thomas e Bretz, Jr./94)
Bergamini (1992, p. 26) salienta que
a Avaliação de Desempenho deve ser vista “apenas como instrumento de
levantamento de dados que caracterizem as condições que, dentro da organização
empresarial, estejam, num dado momento, dificultando ou impedindo o completo e
adequado aproveitamento dos seus recursos humanos”. Atestar que, “como
instrumento que deve ser capaz de retratar tão fielmente quanto possível o comportamento
do indivíduo em situação de trabalho, o primeiro objetivo da avaliação de
desempenho é conhecer”. Esse conhecer refere-se a organização como um todo,
além de suas relações com o meio ambiente e com seus recursos humanos.
Bergamini (1992) aponta como
principais resultados das aplicações da Avaliação, como sendo:
o Subsídios para a seleção de pessoal.
o Subsídios para o treinamento e
desenvolvimento de pessoal.
o Subsídios para a administração
salarial.
o Subsídios para a movimentação de
pessoal.
Henemam III (1981, p.78), observando
que um singular resultado dos trabalhos das pessoas é a contribuição para o
alcance das metas da organização, apresenta como principais propósitos das
“prática de medição de desempenho”, os seguintes aspectos:
Decisões Administrativas: promoções,
desligamentos, incrementos salariais e outros. Entende que, nesse particular, a
vinculação entre altos desempenhos e incrementos salariais mostram-se efetivos
– baseiam-se na teoria da expectância.
Retroinformação e Desenvolvimento:
levar ao conhecimento dos empregados o desempenho obtido em relação às
expectativas da organização. Concomitantemente, utilizam-se os resultados para
verificar as necessidades de melhorias, proporcionando aos gerentes a
possibilidade de preparação do subordinado para a execução das tarefas ou de
treinamento.
Avaliação das Políticas de Recursos
Humanos: compreensão da forma como as políticas e os programas de recursos
Humanos estão influenciando as pessoas no trabalho.
Chiavenato (1994, p. 267) aponta como
“objetivos intermediários” da Avaliação de Desempenho, basicamente àqueles
citados anteriormente, como por exemplo: promoções, treinamento, incentivo
salarial, estímulo à maior produtividade, retroação, transferências, dispensas,
e outros. Por outro lado, lista três “objetivos fundamentais”, a saber:
o Medição do potencial humano.
o Administração dos recursos humanos
(vistos com recursos básicos da organização).
o Oportunizar o “crescimento” e fornecer
“condições de efetiva participação” na obtenção dos objetivos organizacionais e
individuais.
Lucena (1992, p. 18) relaciona alguns
pontos que, no seu entendimento, evidenciam a importância da gerência do
desempenho:
o Necessidade de a organização saber se
seus objetivos estão sendo alcançados.
o Necessidade de assegurar-se de que o
desempenho (indivíduo e equipe) está a contento.
o Necessidade de reconhecimento da
“contribuição” dos empregados.
o Promoção do “desenvolvimento de
habilidades” e “capacitação” dos empregados.
Tem-se com isso, uma concordância com
relação aos propósitos da Avaliação de Desempenho e, por conseqüência, as
razões do seu uso. Pode-se observar, de antemão, que os aspectos mencionados
por Bergamini (1992), Chiavenato (1994 e 1998) e Lucena (1992), estão
contemplados nas informações destacadas na pesquisa apresentada por Thomas e
Bretz, Jr. (1994). A aplicação da Avaliação de Desempenho resulta
prioritariamente para ações sobre os empregados, caracterizando-se, dessa
forma, como instrumento típico de ARH, para mostrar-se, eventualmente, um instrumento
de apoio à gestão dos negócios.
As constatações da pesquisa citada,
quanto à rejeição ao processo de avaliação, têm sentido ao se observar às
destinações apresentadas.
3 - AS RAZÕES PARA MEDIR O DESEMPENHO
Quando se tem o propósito de avaliar
desempenho, quer de um sistema organizacional, quer de equipes de trabalho, a
medição é um fator inerente ao “funcionamento” dos mesmos. Portanto, a decisão
de avaliar “desempenho” traz consigo a necessidade de se efetuarem medições e
de acordo co Sink e Tuttle (1993, p. 145), a medição “muitas vezes é implícita,
muitas vezes evitada e quase sempre mal compreendida”.
Levando-se em conta a perspectiva
adotada nesse trabalho de “intervenção”, sob a ótica da estratégia organizacional,
a avaliação de desempenho deverá ser efetuada com objetivos associados à
verificação da forma como a organização caminha para obtenção das metas e como
os seus processos/atividades se ajustam para tal(enquanto consomem
recursos).
Constata-se que os sistemas
organizacionais possuem um conjunto de recursos, arranjados de formas diversas,
para produzirem bens ou prestarem serviços. As capacidades desses sistemas
precisam ser conhecidas. A medição e avaliação, por conseqüência, possibilitam
identificar se os recursos estão sendo utilizados de forma adequada para os
resultados pretendidos.
A medição traduz, sob uma forma
escolhida, o desempenho do sistema. Num ambiente em que as transformações dos
negócios ocorrem de modo intenso, um desempenho satisfatório, em determinado
período, pode se transformar, se não houver mudanças, em fator de perda de
competitividade ou em manutenção de processos onerosos (pouco eficientes) para
os clientes logo a seguir.
Outro aspecto, capaz de justificar a
necessidade das medições de desempenho, reside no fato das estratégias serem
mutáveis ao longo do tempo. Isto é, os sistemas organizacionais podem manter
suas missões, todavia as formas, os métodos e os meios, para atendê-las, podem
ser alterados e a organização dos recursos modificada. A máxima “o que não é
medido não é gerenciado”, tem aqui sua justificativa.
Kaplan e Norton (1997, p. 25)
observam que medidas e indicadores são tomados inadequadamente como “ferramenta
para controle do comportamento e avaliação do desempenho passado”, quando
deveriam servir de mecanismo para “articular a estratégia da empresa, para
comunicar essa estratégia e para ajudar alinhar iniciativas individuais,
organizacionais e interdepartamentais, com a finalidade de alcançar uma meta
comum”.
Moreira (1996, p. 19) informa que “a
rigor, então, qualquer sistema de medidas deveria partir de uma visão de futuro
que a organização tenha fixado para si”. Antepondo-se a essa consideração,
observa que:
“A tendência que se desenha para o
futuro é colocar no centro de um sistema de medidas a visão e a estratégia que
orientam a empresa, sem a especificação de comportamentos. A alta gerência sabe
qual o resultado final buscado, mas não pode dizer aos empregados como chegar
exatamente àquele resultado, no mínimo porque as condições nas quais os
empregados estão operando mudam constantemente” (Moreira, 1996.
p. 18).
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